Impressões do espetáculo Feche os olhos para olhar, por Eliana Barbosa

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Feche os olhos_Foto by Marina Feldman 2

Se eu pudesse, iniciar  pelo feche/fechar, os olhos é um imperativo indicador e que pode ser inconsciente seria,  reduzir, enxugar seu imaginario, não é acabar com ele.  Pois ele carrega um excesso de sentido que atrapalha e  engessa o campo simbolico da linguagem que tenta interpretar a partir de uma referência que reverência. Quando as cenas se passam durante o espetáculo, elas carregam e provocam uma catarse inventiva muito  mais do que posso dizer. Assim o que é o real de uma identidade apontada ali?  Ela esta para além do visível do que o ato pode atualizar e transmitir. No impacto dos encontros provoca-se uma lacuna, como  possibilitadora de efeitos de reunião como outros impactos da linguagem,  usada para criar ou inventar o que se passa, atualizando no falar livremente a voz como objeto investido pelo desejo humanizante de falar, onde surge a história, a experiência, a descrição e os excessos que carrega todo sentido e significado dado pois tende a nos parar. Se pudermos nos utilizar da voz experienciando advertidos  e nos assegurar que não existe um significado somente,  ela será o nutriente que nao essa de se inventar e criar.  Porque não carregara a obrigação do sentido comum a todos que parece  ser a proposta  da dança contemporânea  ao carregar  esse efeito de não-sentido, no francês "nonsense". Com a fonação de não cesse.... A voz da cena do meio da escuridão, do nada,  relança para uma cena que pode ser uma puridade de sentidos e possibilidades.  Mas a voz que dança  embaixo da luz, nomeia, determina, aponta, indica, educa, reconhece, abre, mas quando o corpo do nome, do determinado, apontado, indicado, educado, reconhecido e aberto, cai, a cena construída, esbarra numa barra que a cindi e os sujeitos chamados comuns à memória, à cena, à história, às lembranças a expõem a contradição, nos sentidos apontados pois as vozes sufocam o singular com seus excessos. Através de um traço infantil que o movimento contemprâneo carrega, "o faz de conta" inventa o que se passa, o deixar-se cair das primeiras vestimentas e os encobrimentos possibilitam repetições de quedas necessárias para o reconhecimento e a identificação do que partimos todos,  do nada, do vazio e de uma falta em tudo saber e existimos como um  mover de uma geléia, gelatina que faz parte da dança. Nossos desejos se alternam entre duas posições o que surge S1 e é  nomeado pelo S2, porque nossas posições se modificam como Outros, a partir das quedas suportadas nas identidades das cenas dançantes possibilitando identificação dos lugares que ocupamos nas cenas dançadas e nos permiti ficar precavidos que nos vestiremos de novo por leituras que realizamos. Ao tocar alternado são marcados como uma rede de significados, que se abrem como investimentos e porque não dizer que envolve investimento de libido, como pode ser traduzida nossa energia sexual marcando os objetos que escolhemos, tocamos e nos trocamos. Os apoios envolvidos pela descarga, remete a um lugar ou posição que cada sujeito que dança, olha, aponta  localiza uma ocupação de seu ser atualizando, uma construção, um desejo que carrega fantasmático, interpretação que sempre acena no que se passa e ao falar remete a "Outra cena primaria". Seja qual for a parceria do sujeito e do objeto escolhido, como na cena  Yuki e a gelatina, uma cena que se atualiza, o movimento de satisfação como possibilidade com aquele objeto que foi apreendido, devorado, mas movimentado não paralisado. Cena esta que carrega uma mostração, catarse, expõe uma categoria, uma localização, ocupação no alemão que indica o excesso do imaginario sem se enlaçar com as vozes por intermedio da linguagem onde se constrói história, personalidade, persona, mascara teatral.  Imagem refletida pelo Outro, chamado de "interpretação simbólica" que pode estar amarrado em uma cadeia simbólica de significantes e significados, onde ocorre hiâncias e buracos entre uma imagem e outra. A mostração é vel que embeleza o vazio que surge em tudo compreender e explicar. A dança contemporâne possibilita uma quebra nesta rede simbólica, apontando o campo imaginário no mover dos corpos que se deixam pular, envolver e cair deixando cair às varias cenas e reiniciando outra sem significados prontos ou apontados. Ela testemunha seu encontro com o Real analitico que é indizível e  uma maneira de lidar com ele.

Eliana Barbosa, formada em: sociologia, pos graduada em psicanálise e psicopedagogia. Membro da Biblioteca Freudiana, desde:2003. Membro fundadora e participante do projeto HC/dedica do hospital das clinica.

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